Trovas e Quadras
A Trova é uma composição poética de quatro versos de sete sílabas cada um, rimando pelo menos o segundo com o quarto verso. É criação literária popular, que fala mais diretamente ao coração do povo. É através da Trova que o povo toma contato com a poesia e sente a sua força. Por isso mesmo, a Trova e o Trovador são imortais.
A Quadra é toda estrofe formada por quatro linhas de uma poesia e pode ser feita sem métrica e com versos brancos, sem rima.
Efeito
Quem for cegado
por um grande amor.
Com ele vive enroscado
qual abelha na flor
Flores
Margarida... Nunca a ti desprezei
mesmo não me dando linda flor
sempre de ti melhor cuidei,
mas é a Rosa que dedico o meu amor
Mundo
Viajando neste imenso espaço
Levo a ti o meu calor
Não me importando o cansaço
Pois é maior o meu amor
Vento...
Lá na beira da praia
Coqueiros a balançar,
Marolas como raia
Saudades a relembrar...
Eclipse da Lua
Outono de muito frio
com noites enluaradas
mas neste dia sombrio
a lua foi apagada.
Liberdade
Gostosa é a brisa do mar
Que nos afaga ao entardecer
E os pássaros à volta a cantar
Traz-nos o prazer de viver.
Orgulho
Não sei bem o que fazer
Mas uma coisa garanto
Ela não me verá em pranto
Se o seu amor eu perder
Paciência
Alô amiga tristeza....
Vê se me abandona
Peço com delicadeza
Aguardo aqui na poltrona
Coração enganado
Feliz passo a vida a bater
Mas não gosto de apanhar
Sua traição é preciso conter
Me aborrecendo posso parar
Remédio
Procuro na bela poesia
A medida exata do que sinto
E assim vou vestindo
Minh'alma em agonia
Busca
No frio da noite escura
Desnudo de pensamentos
Vagueio sem ti à procura
Do fim dos meus sofrimentos
Encanto
Parece que foi ontem
O dia que eu lhe vi
Este velho coração
Ainda lembra de ti
Marcas
O tempo não perdoa
E marcas vai registrando
Também a alma ferroa
Aqueles que vivem enganando
Saiba
Qualquer folha que cai
Não deixa de ser registrada
E todo aquele que trai
Tem a confiança negada.
Mar
Saudades tenho do mar
Dos tempos de navegante
Momentos a recordar
Da brisa, do cheiro marcante.
Bichanos
Coração maltratado
Gata linda apareceu
Àquele que tinham matado
A danada sucedeu
Precaução
Fugirei do seu olhar
Como diabo da cruz
Pois eu sei se lhe fitar
Você logo me seduz
Desejo
Do outro lado da rua
Admiro você passar
Sua silhueta flutua
Para mais me encantar
Declaração
Sou um velhinho danado
E muito pretendo viver
É bom ficar acostumado
Pois muito me verão escrever.
Decepção
Debaixo da tamarineira
Perdi meu rebolado
A minha morena trigueira
Por outro me tinha trocado
Morena
Falar da sua beleza
não tenho dificuldade
pois aprecio a leveza
da sua simplicidade
Fracasso
Ganhei o mundo a procura
da perfeita esmeralda
mas só encontrei amargura
e pedra cheia de balda
Pesar
Agora não sinto mais
Por ti amor sublime
Mesmo os seus madrigais
Hoje só me oprime
Nosso caminho
Ah! como fiquei encantado
No dia que nos conhecemos
Estava mais que abençoado
O caminho que transpusemos
Natureza
Me aguarde nascente linda
ainda vou lhe conhecer
e da sua água cristalina
com certeza vou beber
Você
Não existe no universo
Nada com tanta clareza
Por isso fiz esse verso
Ressaltando a sua beleza
Surpresa
Lá no canto do universo
Uma estrela cintilava
Dizendo ao pior perverso
Que a sua vítima o amava
Liberdade
Um amor doentio
pode ferir seu coração,
mas mesmo que tardio
livre-se desta judiação
Serenata
Debaixo da sua sacada
Eu cantei o meu amor
Você não entendeu nada
Me mantendo um sofredor
Pai
Pequeno se torna o Universo
Diante da sua grandeza
Hoje ressalto nesse verso
O tamanho da sua nobreza.
Simplesmente
Tentando fazer trovas
Com ternura e primor
Vou pondo boas-novas
Nos meus versos de amor
Apaixonado
A teu lado eu vivo
Mais feliz do que nunca
Não me sinto cativo
Muito menos varunca
Almoço
Pra misturar ao feijão
sempre é bom ter mais dois
mesmo que não seja grão
mas tem que ter o arroz
Amizade
No pequeno pau relho
Com talento entalhou
A imagem d'um velho
Ao amigo ofertou
Homenagem póstuma ao amigo Hugo
Coisas de menino
Bela foi a infância
Bola de meia e pipa
Tudo sem arrogância
Era ripa na chulipa
Jesus salvador
Sempre sutil... singular
Sabiamente sedutor
Singeleza secular
Sigo seguindo Senhor
Rio de Janeiro
Vida em rebuliço
Corre, corre constante
Mostrando seu feitiço
Cidade fascinante
Decepção
Aquela moça de longe
Que ao encanto não cedeu
Magoado virou monge
E no mundo se perdeu.
Rancor
Tempestade se armando
No fundo do coração
É o ódio forjando
A sua nova feição
Prisão
Passarinho na gaiola
Tem o canto entristecido
Com um olho no frajola
Vai vivendo deprimido
Meu jeito
Não me diga o que fazer
Quando estou atarefado
Vivo a vida a correr
Para ficar ao seu lado.
Castigo
Nem sempre o Santo resolve
Pois não se sabe o que diz
Mesmo que o mundo o aprove
Ainda prefiro um Juiz.
Saudade
Quando a saudade visita
Maltrata no peito o coração
É como se fosse vindita
Mantendo-nos na prisão
Ciúmes
Não é bom companheiro
Nem se apresenta informal
Muitas vezes embusteiro
E sempre irracional.
Padecer
Saudade amiga presente
De todos que amam alguém
Como não sou diferente
Eu sinto saudades também
Informação
Na imaginação sou romanço
E tenho pra dar e vender
É que às vezes me canso
Com tanto para escrever.
Esperando
Seu beijo não esqueço
Muito menos seu abraço
Me viro pelo avesso
Pra descansar no seu regaço
Herança
Deixar legado é bom
Pra qualquer agraciado
Melhor sentir o frisson
De tudo a ser conquistado.
Oportunidades
Quando a porta se fecha
Abre-se alguma janela
Aí se encontra a brecha
Pra recomeçar com cautela.
A felicidade existe
Churrasco no terraço
Cantorias do passado
Tudo muito animado
Naquele pequeno espaço.
Fui elogiar...
Lá no mesmo terraço
Tudo se deteriorou
Naquele pequeno espaço
Assim que o Funk tocou.
Jardinagem
Tirando
mato e raiz
Canta
a enxada no chão
Vai
roçando o aprendiz
O
terreno do casarão
Na
vida
Revendo
meus caminhos
Poucos
sonhos realizei
Nossa...
Quantos espinhos
Mas
amo o que conquistei
Devoção
Bate
o sino distante
Chamando
o peregrino
Lembrando
ser o instante
Do encontro com o Divino.
Do encontro com o Divino.
Conquista
Ao
ver aquela morena
Encantou-me
seu olhar
Era
uma tarde serena
Não
tive como olvidar
Meu
jardim
No Hibisco vermelho
Se
alimenta o Beija-flor
Borboleta
mete o bedelho
Compondo
cena multicor
Precaução
II
Não
há coração que aguente
A
solidão por muito tempo
Não
deixe que um contratempo
O
torne um dependente.
Sem
controle
O
peito se aquece
Ao
viver uma paixão
A
luta permanece
Até
ganhar a razão
Escolhas
Não
pretendo confundir
Nem
tão pouco enganar
Preferível
construir
Uma
vida salutar
Saudade
Partistes
de repente
Sem
ao menos dar adeus
Marcas
foram gravadas
Em
cima de feitos meus
Vida de artista
Um
palco apagado
Compromete
o ator
Sendo
a sua peça
Encenada
pela dor
Rosas
As
rosas perfumadas
Emanam
forte elo
Encantando
amantes
Em
momento singelo
Choros
O
chão todo molhado
Pelo
sereno que cai
Coração
maltratado
Em
lágrimas se esvai
Doença
Quando
a notícia chegou
Pensei...
O mundo acabou
Mas
logo encarei o doutor
Que
disse; vai se curar pecador.
Sem
noção
Por
quê
me condenaste
Sem
saber qual a razão
Fizeste-me
um traste
Com
seu imenso sermão
Ressaca
Coitada
da azeitona
Que
não tem culpa de nada
Foi
a caneca grandona
Que
lhe levou à derrocada
A
janela
Por
ela vejo a vida
Correr
sem embaraço
Dela
não faço parte
Por
medo do fracasso
Memória
Notei
que faltava algo
Ao
fazer o meu jardim
Eram
as sementes de amor
Que
você mandou p’ra mim
Provação
Chove
mundo afora
Inferno
dos sem teto
São
fortes, ninguém chora
Filhos
do Arquiteto
Vida
difícil
Nas
veredas da amargura
passa
o tempo a lembrar
do
tempo que era pura
e
mocinha do lugar
Interação
na trova da poetisa Aila Brito.
Beleza
É
a minha cabocla sestrosa
A
dona dessa beleza?
Não
desejo pô-la a prova
Seria
uma indelicadeza
Interação
na trova da poetisa HLuna
O
mais querido
Sem
dúvida é o Colibri.
Beijando
todas as flores
Almejam-no
como o Rubi,
Mas
todas são seus amores
Decisão
Não
seja complicado
Ame
p’ra ser amado
Caso
não viva assim
Vai
viver isolado
Carnaval
Me
vesti de palhaço
Saí
a rua a brincar
Fui
dono do pedaço
Aprendi
a galhofar
Muito
sério
Estão
roubando rimas
E
daqui do Recanto
Não
sei se é verdade
Mas
acho um espanto
Hipocrisia
Há
um mundo imundo
De
gente sem coração
Que
com riso jucundo
Semeia
a provação
***
Derrama
Ouro
para Portugal
Não
é permitido esquecer
Aquele
que o fizer,
Com
certeza, vai morrer
Jogou
Não
era a cara metade
Lá
no altar se encontrou
Achou
que daria certo
Mas
pelo cano entrou.
É
assim
Amizade
não se esquece
Mesmo
que esteja distante.
Com
a lembrança se aquece
A
convivência vibrante.
Ilusão
Seu
sorriso charmoso
Envolveu-me
de tal forma
Que
perdi-me
no caminho
Preciso
de reforma.
Recompensa
Caminhava
na praia
Debaixo
dum
sol quente
Quando
encontrei você
Vivi
amor ardente
Egoísmo
Deixaste
a casa vazia
Ao
partir sem dizer nada
Não
encontro mais harmonia
Restou-me
só
a
derrocada
Surf
Em
toda beira de praia
Uma
onda se desmancha
Não
é para gente que caia
É
para os em cima da prancha
Engano
Levou
flores para a amada
Aos
seus pés as derramou
Descobriu
que era casada
Quando
a bela o
rejeitou
Regras
Vivendo minha babilônia
Vou fugindo da realidade
Sem nenhuma cerimonia
Curto a banalidade
Regras
Vivendo minha babilônia
Vou fugindo da realidade
Sem nenhuma cerimonia
Curto a banalidade
A
verdade
Pensamentos
em retalho
Me
obrigam a escrever
Estou
procurando o atalho
Para
não lhe aborrecer
Fogaréu
Sem
poder se defender
Morre
a natureza
Não
tendo
como
esconder
Toda
nossa tristeza
Surpresa
Plantei
no meu jardim
Sementes
para
florir
Logo
surgiu
o Jasmim
Qual
outra vai se abrir
Uma
vida
Tantos
anos passamos
Firmes,
alegremente
Nada
foi esquecido
Juntos
eternamente
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