Não sei se sou poeta.

Não sei se sou escritor.

Só sei que coloco as palavras.

Com bastante calor

Digo sempre o que sinto.

Para quem quiser ouvir.

Dificilmente eu minto.

Pode vir e conferir

Esses e outros escritos.

Tem aqui no meu cantinho.

Venha, é de graça e não tenha pressa...

Pode ler devagarzinho

A todos que aqui vierem.

Para ver o que propus.

Desde já agradeço.

Com Abraços de Luz


Cartas (8)


CARTAS


Carta a meu Pai

Impressionante o tempo que eu levei para lhe escrever, mas hoje acredito que estou preparado para lhe dizer como me senti durante algum tempo.
Faz quase sessenta anos que não nos vemos. Na verdade nem o conheci e isso sempre foi uma das coisas, entre nós, que mais me incomodou. Por isso mesmo vou deixar de rodeios e irei direto ao assunto.
Quem mandou você morrer tão cedo? Ainda não tinha completado seis meses que a mamãe morrera e mesmo assim você também morreu! Fiquei órfão e só tinha um ano e meio de idade. Lembra-se disso? E não me venha dizer que você me deixou sob os cuidados das pessoas mais íntegras e honestas que você conhecia. Nem meus parentes eram, poxa!
Tudo bem. Cabe aqui uma ressalva: eles foram maravilhosos comigo. Mas você não estava lá. Quem mandou você morrer tão cedo? Perdoe-me, mas achei a sua morte uma grande covardia — não sei de quem, mas que eu achei, isso eu achei.
Por que não deixou que um dos seus irmãos me adotasse? Meus tios não quiseram assumir tal responsabilidade? Não... Não precisa responder... Aliás, você não tem mesmo como responder, portanto esqueça. Isso já é coisa do passado, mas bem que tudo poderia ter sido diferente se você estivesse lá.
Todas as vezes que via meus amigos abraçados com seus pais sentia a sua falta. Você não faz ideia do quanto desejei jogarmos ou assistirmos um futebol. E não é dizer que o pai que você me arranjou não fizesse nada disso. Fazia, mas não era você que estava lá. Entende?
Quem mandou você morrer tão cedo? Quando fiquei muito doente você não estava lá para tratar de mim. Com certeza você já seria médico, mas foi morrer antes até de se formar, não é mesmo? Quem mandou?
Mas, não fique preocupado não, que eu já o perdoei pela falta. Tanto que procurei não morrer antes do tempo e estou conseguindo educar meus filhos, mesmo sentindo a falta dos conselhos seus. Mas que poderia ter sido diferente, ah, isso poderia.
Agora vou dar uma descansada, mas voltarei a lhe escrever novamente.
Até lá,
Saudades.

Escrito em 02/06/2006


Carta a meu irmão.

Estimado irmão.
Gostaria muito de saber como você está passando, mas sua teimosia e ignorância o fizeram afastar-se daqueles que verdadeiramente são seus amigos. Sim amigos. Porque só os amigos dizem as verdades, e é com as verdades que vamos lidando e consertando nossos erros.
O fato d’eu ter-lhe apontado um erro, não quer dizer que sou perfeito e que não o quero por perto. Só não posso escutar suas besteiras, de vez em quando, e deixá-lo pensar que está certo.
Jamais foi minha intenção magoá-lo, muito pelo contrário, queria sim, mostrá-lo o quanto estava se afastando de sua família. Se não o fizesse, eu não seria seu irmão e muito menos um amigo verdadeiro. E tenho certeza, que se fosse ao contrário farias o mesmo por mim.
Reconsidere sua atitude e posicionamento e façamos as pazes. A vida é curta demais e não dá lugar para ressentimentos duradouros. Lembre-se, uma reconciliação não concretizada pode virar um irremediável arrependimento mais tarde.
Pense nisso.
Abraço fraterno.

Escrito em 20/03/2000


Carta a um Ídolo. – (Michael Jackson).
Partiste e nem sequer se despediu!
Por quê assim tão rápido?
Só me resta agora te dizer: — Adeus, meu irmão de jornada. Entretanto, ficará em minha lembrança a alegria da tua dança e música.
Agora mesmo, tenho a impressão de vê-lo deslizando pelo o Cemitério, de túmulo em túmulo, ao ritmo de “Thriller” para o deleite daqueles que ali descansam.
O novo palco que agora estás se apresentando é só para alguns privilegiados, mas não te esqueças de que fostes o ídolo incontestável, marca de uma época, por sua excentricidade e motivo de discussão e estudo de muitos, por aqui.
Sentiremos tua falta, homem garoto mau entendido.
Também acredito que agora terás o descanso merecido, pois onde estás não mais existe a necessidade de uma cara nova. Poderás voltar a ser aquele menino de ouro.
Faça a nova estrela acesa no Universo brilhar tanto quanto, ou mais, da que brilhou aqui na terra.
Até algum dia.

Escrito em 26/06/2009


Carta a um amigo.

Sei que não vais ler o que tenho a te dizer, até porque nossa amizade deixou mesmo de existir ― não por minha vontade ― mas provavelmente por eu não ter mais o que te oferecer em vantagem. Custo a acreditar que eu tenha me enganado tanto a teu respeito, e a conclusão que chego é que eu fui sempre um grande idiota ou então tu foste um grande ator que soube representar magnificamente o teu papel. Entretanto, mesmo assim deixarei registrado duas perguntas e o que penso sobre elas. E se por acaso um dia tomares conhecimento me responda.
Porque destes mais valor a garantia de mantê-lo empregado, do que a minha amizade?
- Precisas saber que não fui eu que te mantinha empregado, mas sim a tua própria capacidade, mas parece que nem tu acreditava nisso.
Está valendo a pena tal decisão?
- Acredito ser difícil viver na superficialidade.
Antes de terminar quero que saibas que eu preferia mil vezes ter continuado com aquela “amizade” do que estar te escrevendo agora.
Forte abraço.

Escrito em 10/01/2007


CARTA AOS “REVOLUCIONÁRIOS”.

Rio de Janeiro, 01 de maio de 2010.

“Brasil tem que aprender a punir a tortura, diz Paulo Vannuchi.”

Não sou muito ligado em política. Entretanto, ao ler tal declaração, resolvi saber quem era o autor da mesma e descobri que hoje ele é o secretário de Direitos Humanos (cargo com status de ministro), mas que outrora, na época da ditadura, teve participação efetiva nos movimentos de esquerda e de resistência ao regime militar. Descobri também que é tratado como “companheiro” por aqueles que se envolveram em lutas armadas e hoje pleiteiam tal punição, mas que na verdade querem é obter polpudas indenizações para os desaparecidos ou torturados que, por livre e espontânea vontade, se meteram em escaramuças com o poder vigente do período. Digo isso, “livre e espontânea vontade”, porque eu e a maioria dos pacatos cidadãos brasileiros não lhes pedimos para fazer nada daquilo, portanto não tenho, e não temos, de pagar nenhuma conta para meia dúzia de anarquistas, terroristas, sequestradores e ladrões de banco ou a seus familiares.
Como diz o ditado, “sua cabeça é o seu mestre”. Que cada um fique com o seu prejuízo e continue a vida trabalhando honestamente pelo engrandecimento do país.
Aqui, ainda me pergunto: quem vai ser processado e indenizará as famílias dos que foram mortos e também torturados por aqueles que fizeram a luta armada?
Por acaso vocês “revolucionários” eram portadores de gentileza e pediam por favor ou licença para sequestrar, roubar e matar?
Creio que para essas perguntas não me darão respostas, mas também acredito que vocês, que se dizem tão preocupados com a nação, poderiam usar toda essa “energia revanchista” para realmente fazer do nosso país uma grande nação.
Uma boa parte de vocês, que lutaram para acabar com a ditadura, hoje encontram-se no poder. Cito, a exemplo, o senhor Paulo Vannuchi, ministro dos Direitos Humanos. Dessa forma convido-os a lutarem pelo direito de todos os brasileiros (não só os dos companheiros da luta armada de outrora) a ter moradia digna, educação qualificada, saúde e saneamento, trabalho não escravo, transportes de massa eficientes e segurança em todos os cantos do país. Feito isso, se realmente forem brasileiros como tanto cantam aos ventos, tenho certeza de que se sentirão indenizados, realizados e vingados.
Pensem nisso!
Eu conheço o Brasil e seu povo, por isso os amo. E vocês?

Nota:
Paulo Vannuchi, é o criador da Comissão da Verdade e ex-ministro dos Direitos Humanos do governo Lula.


Padrinho (pai) – (bilhete) 

Meu velho e querido amigo Heleno. Que saudade!
Gostaria muito de tê-lo por aqui, poder abraçá-lo e ouvir seus conselhos.
Já caminhei mais do que o senhor nessa vida e mesmo assim não adquiri metade da sua sabedoria. Seu altruísmo então, nem se fala, fico em muito a desejar. Mesmo assim vou tentando seguir o belo exemplo e rastro de bondade que deixaste, com determinação e a esperança de um dia conseguir chegar próximo do que foste.
Espero que, na eternidade, quando nos encontrarmos novamente eu possa sentir em você o mesmo orgulho que lhe tenho.
Onde estiver te amo,
Abraços de Luz.

Escrito em 21/09/2006


2ª Carta a meu irmão

Olá estimado irmão!
Quero compartilhar contigo o que hoje estou sentindo.
Não sei precisar se o mesmo está se passando com você, mas saiba que com a nossa reconciliação uma alegria imensa se apossou do meu coração, de tal maneira que me senti na obrigação de lhe participar e também evitar que essa emoção me matasse.
Quero que saiba o quanto fico-lhe grato pelo fato de ter reconsiderado nossa situação e me dado a oportunidade de voltarmos ao convívio fraterno. Não tão afetuoso e intenso como antes, mas pelo menos sem ressentimentos e como bons amigos.
Nesses quase vinte anos separados pelo egoísmo mútuo, também não deixei de torcer por nós e continuei desejando-lhe o melhor em sua vida junto aos seus.
Com a proximidade das festas desejo-lhe um feliz Natal e um novo ano com muita saúde.
Abraços de Luz.

Escrito em 02/12/2010


Carta a um Nobre Amigo

Boa tarde!
Não pergunto nada sobre ti, por saber que estás bem. Além do mais, se conversamos todos os dias, torna-se desnecessário tal pergunta. Entretanto, o que mais me intriga neste momento é constatar que só agora me dei conta de que nunca te escrevi. Mas como bem sabemos, nunca é tarde para se fazer algo e por essa razão não deixarei passar essa oportunidade mais uma vez.
Primeiramente quero te agradecer por tua atenção, teu respeito, tua compreensão, teu carinho, tua presteza em ajudar sem nada querer em troca, teus ensinamentos e principalmente por estares sempre pronto para perdoar. E olha que foram várias as ocasiões que te ofendi em todos esses anos de nossa amizade.
Também vou aproveitar para te dizer que jamais esqueci o quanto és presente em minha vida, principalmente quando, ainda muito jovem, na ocasião em que perdi meus pais, a tua participação direta na escolha daqueles que seriam meus novos responsáveis foi fundamental. Praticamente fui privilegiado com um novo nascer.
Podes ter a certeza de que percebi tua interferência em todos os momentos de perigo por que passei e deles saí ileso. “Foram-se os anéis, mas ficaram os dedos.”
Perdi a conta das noites em que, como médico, me socorreste de sofrimento físico por que fui acometido. “Diga-se de passagem, o melhor dos médicos.”
Porém o que mais me deixa feliz e seguro é saber que tudo o que fazes por mim também estendes à família que constituí, protegendo minha mulher e meus filhos.
Tenho a obrigação de afirmar que de maneira alguma esquecerei teu incentivo de vida e a ajuda nas minhas conquistas materiais.
Por tudo isso é que não me canso de afirmar:
“Como é bom ter-te como amigo.”
Meus sinceros agradecimentos a você Jesus de Nazaré.

Escrito em 04/01/2013

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