SONETOS
Poema de 14 versos com forma fixa. Em italiano, soneto significa pequena canção. No soneto italiano, os primeiros oito versos, dispostos em dois quartetos expõem um tema ou uma experiência. Os dois tercetos seguintes respondem ou comentam esse tema. O esquema de rimas dos quartetos é comumente abba abba (rimam entre si os versos um, quatro, cinco e oito; e os versos dois, três, seis e sete). Nos tercetos, é frequente o esquema cde cde. Quanto à métrica, são mais usados os versos decassílabos, ou os alexandrinos.
Ser poeta
Resolvi por no papel meus pensamentos.
Achei que escrever qualquer um podia,
Mas teria de ser com categoria.
Pus em prática os meus planejamentos.
Primeiro sem muito aperfeiçoamento
Levando mais na base da teimosia.
Logo pensei que faria poesia,
Entretanto, me faltava argumento.
Essa empreitada foi difícil vencer.
Agora, a qualquer momento escrevo
Embora ainda com dificuldade.
Digo que ser um escritor, basta querer
Não duvide, mesmo sendo um longevo
De trovador já me chamam, é verdade.
Vida de cão
Vive no mundo qual cachorro sem dono
Nas ruas desertas tenta se abrigar
Sente frio, fome... sem forças pra gritar
Esqueceu-se da beleza do Outono
Difícil é sair desse abandono
Amigos sumiram... Ninguém pra confiar
Mas crê que um dia tudo vai olvidar
Quem sabe até consegue um patrono.
Bem difícil reverter tal situação
É preciso acreditar na mudança
A luta tem que partir do interior
Se fraquejar não alcança a ascensão
Importante não perder a esperança
O objetivo é a vida recompor.
Hi-Fi
Fim de semana em festa no casarão
Música alegre marca o compasso
Moças e rapazes acertam o passo
Olhares furtivos de certo cruzarão
O objetivo era a integração
No local quase não havia espaço
Dança, namoro, frenesi e cansaço
Tudo isso por conta da descontração
Hoje quando me lembro comprovo triste
Nossos netos não terão a mesma sorte
Desfrutamos uma época áurea
Daquela época nada mais existe
De uma discussão encontra a morte
Sobreviventes ganharão a láurea
Encontro de almas
Lá no passado longínquo vi você
E interessante, você me viu também
Senti que os olhares iriam além
Logo chamei, antes que fizesse chiquê
Rebusquei palavras para não ser clichê
Descobri... tudo na vida tem um porém
E não podia perder o momento zen
Mas no baile começava um fuzuê
Dançamos, conversamos, rimos a valer
Estava claro, sentimos a afeição
Fim da festa marcamos de nos encontrar
Deslumbrávamos um novo alvorecer
Com lealdade demos fim a solidão
Nós estamos até hoje a celebrar
Antiga Galileia
Apareceu naquela terra conturbada
Um simples carpinteiro chamado Jesus
Por onde passava refletia a Luz
Seu propósito... a fé imaculada
Cuidava da pessoa desamparada
Tanta dedicação só o amor produz
Jamais desviou do seu destino... a cruz
Teve a dignidade injuriada
Com água foi batizado e ungido
Sua tônica era a humildade
Falou do perdão e do amor fraterno
Pela Galileia ficou conhecido
Sua obra alcançou sublimidade
Conhecemos o Filho do Pai eterno
Era lá no alto da escadaria
Que toda noite o violão tocava
Com certeza os corações abrandava
Assim compúnhamos nossa fantasia.
O lugar inspirava a poesia
Tal a beleza do que se avistava
No céu plácido a lua acalentava
Como cúmplice a nossa alegria
Momentos de beleza inesquecível
Guardado na lembrança e no coração
Garantem que vivemos intensamente
Tudo passou, mas ainda é visível
Que nada foi perdido da integração
Mesmo já estando todos no poente.
Vida
Quando
adentrei belo trem
Tudo
era novidade
Como
não vim majestade
Confesso,
não vestia-me bem
A
viagem passa ligeira
Pequenos
e grandes momentos
Curtindo
os sentimentos
Ao
lado da companheira
Hoje
revendo cada minuto vivido
Comprovo...
nem tudo foi alegria
Mas
sempre mantendo a dignidade
Vitorioso
desvendei o desconhecido
Sem
soberba, mas com maestria
Suplantei
a desigualdade.
Trajetória
Fui
agraciado com a encarnação
Linda
família estava formada
Éramos
três compondo a meninada
Meus
pais contra doença lutaram em vão
Por
um tempo convivi com a solidão
Jesus
amado deu-me nova morada
Nela
cresci não precisando um nada
Dos
tutores tive boa educação
Separado
dos irmão passei a vida
Imaginando
todo sofrer dos meus pais
Para
encarar tal perda… Que provação
Na
nova casa não senti a perdida
Novos
parentes contei… Solidão jamais
Aos
padrinhos guardo amor e gratidão.
Ignorância
Amor
possessivo
só traz amargura
Transforma
tudo em
sua botoeira
Levando-o
a perder a estribeira
Sem
conhecer os momentos de ternura
Não
alimente essa triste loucura
Ela
não é uma boa companheira
No
seu
limiar não
existe fronteira
Sendo
sua vereda
nada segura
O
bom senso viajou apavorado
Nos
mostra o comportamento nocivo
Não
deixando dúvidas quanto ao final
Abandonar
tal prática de bom grado
É
o desafio desse objetivo
Livrando-se
desse caminho infernal.
Um
vencedor!
No
início, tudo maravilhoso
Mas
logo começou
o
seu
sofrimento
Morreu
pai e mãe sem nenhum
cabimento
Mais
tarde sentiu
o peso rigoroso
Bem
jovem encarou
algo perigoso
A
asiática, o
mal do momento
Velho,
o câncer chegou, fez
tratamento
Hoje
encara
um
vírus ardiloso
Nada
foi facilitado
para transpor
As
agruras,
mas
ele
não
se entregou
E
bravamente suportou a provação
Tornou-se
poeta e também narrador
E
para se vingar da vida, zombou
Alegre,
mostrando sua elevação.
***
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